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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Quinta das Lágrimas

Quinta das Lágrimas
No final de semana passado fui a Quinta das Lágrimas, próxima às margens do Rio Mondego, um parque natural que foi cenário de uma grande história de amor entre o príncipe D. Pedro, que mais tarde tornou-se rei, e a fidalga Inês de Castro. O preço da entrada é de € 2,00. Não há muito o que ver, porém, grande parte do cenário nos remete ao passado.
Fonte das Lágrimas
Essa história é bastante conhecida na literatura, principalmente aos que estudam os relatos de Camões para os vestibulares, presentes em “Os Lusíadas”. Aconteceu durante o reinado de D. Afonso IV, após a morte da esposa de D. Pedro ele volta a procurar Inês e passam a viver juntos, fato que causou um grande alvoroço na corte.
O Rei Afonso IV temendo que o seu reinado fosse prejudicado manda matar D. Inês de Castro em Santa Clara. Segundo a lenda, as lágrimas derramadas no rio Mondego pela morte de Inês teriam criado a Fonte dos Amores da Quinta das Lágrimas, e algumas algas avermelhadas que ali crescem seriam o seu sangue derramado.
Fonte dos Amores
D. Pedro tornou-se o oitavo rei de Portugal como D. Pedro I em 1357. Em 1360 fez a declaração de Cantanhede, legitimando os filhos ao afirmar que se tinha casado secretamente com D. Inês, em 1354. Em seguida perseguiu os assassinos de D. Inês, que tinham fugido para o Reino de Castela, dois deles foram executados e o terceiro foi perdoado pelo rei no seu leito de morte.
D. Pedro mandou construir os dois esplêndidos túmulos de D. Pedro I e de D. Inês de Castro no mosteiro de Alcobaça, para onde transladou o corpo da sua amada Inês. Juntou-se a ela em 1367 e os restos de ambos jazem juntos até hoje, frente a frente, para que segundo a lenda, possam olhar-se nos olhos quando despertarem no dia do juízo final.
Nascente Fonte dos Amores
Quinta das Lágrimas
In the past weekend was the Quinta das Lágrimas, near the banks of the Rio Mondego, a natural park that was the scene of a great love story between the Prince, who later became king, and the aristocratic Ines de Castro. The admission price is € 2.00. There isn´t much to see, however, much of the scenery takes us to the past.
Anfiteatro de Camões
This history is well known in the literature, especially those who study the reports of Camões for vestibular present in "Os Lusíadas". It happened during the reign of King Afonso IV, after the death of the wife of D. Pedro, he returns to the search Inês and live together, a fact that caused an uproar in court.
King Afonso IV fearing that his reign was prejudiced, boss kill D. Inês de Castro in Santa Clara. According to legend, the tears shed on the Rio Mondego by the death of Inês would have created the Fonte dos Amores of Quinta das Lágrimas, and some red algae that grow there would be shedding his blood.
Fonte Medieval
D. Pedro became the eighth king of Portugal as D. Pedro I in 1357. In 1360 made the declaration of Cantanhede, legitimizing the children in saying that he had secretly married D. Inês, in 1354. Then chased the killers D. Inês, who had fled to the Kingdom of Castile, two of them were executed and the third was pardoned by the king on his deathbed.
D. Pedro ordered the construction of the two splendid tombs of King Pedro I and D. Inês de Castro in the monastery of Alcobaça, where he translated from the body of his beloved Inês. He joined it in 1367 and the remains of both lie together today, face to face, that according to legend, they can look in the eyes when you wake up on the day of reckoning.


terça-feira, 21 de setembro de 2010

O Rio Mondego

O Rio Mondego nasce na Serra da Estrela e tem sua foz no Oceano Atlântico, na cidade de Figueira da Foz. Ele banha a cidade de Coimbra e é o maior rio português que possui seu curso inteiramente contido em seu território. Os romanos o chamavam de “munda”, que significa claridade, transparência e pureza.
Rio Mondego

Vista do Rio Mondego da minha sala de aula

Sentado em minha cadeira da sala de aula, é possível vê-lo, basta inclinar um pouco a cabeça para poder ter uma visão fantástica. Às vezes, andando sem rumo pelas ruelas ao lado das faculdades do ”Polo I”, é inevitável me arrepiar todas as vezes que o vejo. É uma paisagem única que te dá a sensação de liberdade e uma paz interior fora do normal.
Em um domingo, resolvemos conhecê-lo mais de perto. Passamos pela Praça da República, descemos a Av. Sá da Bandeira, passamos em frente ao Mercado D. Pedro V, cruzamos a Praça 8 de Maio, onde se encontra a igreja de Sta. Cruz, e caminhamos em direção à Ponte de Santa Clara. A caminhada durou cerca de 25 minutos, que foram recompensados posteriormente com a maravilhosa paisagem.

Parque Verde do Mondego

Ao chegar no Rio Mondego, caminhei pelo Parque Verde do Mondego em frente à Ponte Pedonal Pedro e Inês. As árvores têm aspecto diferente, seu tronco é reto como nos desenhos animados ou aqueles que fazíamos quando crianças e o verde das folhas mais escuro. A disposição delas em retas perfeitas nos passava uma impressão de organização e limpeza.

Ponte Rainha Santa Isabel ao fundo
Sentei à beira do rio e observei a Ponte Rainha Santa Isabel. Mais tarde, caminhando perto da margem, observava atentamente cada detalhe, assim como fez Luís Vaz de Camões:

Doces águas e claras do Mondego,
doce repouso de minha lembrança,
onde a comprida e pérfida esperança
longo tempo após si me trouxe cego:

de vós me aparto; mas, porém, não nego
Que inda a memória longa, que me alcança,
me não deixa de vós fazer mudança;
mas quanto mais me alongo, mais me achego.

Bem pudera Fortuna este instrumento
d' alma levar por terra nova e estranha,
oferecido ao mar remoto e vento;

mas alma, que de cá vos acompanha,
nas asas do ligeiro pensamento,
para vós, águas, voa, e em vós se banha.
                                       Luís de Camões

sábado, 18 de setembro de 2010

A Universidade de Coimbra

No segundo dia em Coimbra, meu amigo Lucas me levou até a Universidade de Coimbra. Saindo de casa, acionei o cronômetro do meu celular para saber quanto tempo levaria para chegar. A cidade é repleta de ladeiras com várias subidas e descidas, por isso o cansaço chega muito rápido, enquanto o destino demora.
A ida até a universidade é menos cansativa, chega a demorar cerca de 13 minutos pois são muitas descidas e uma só subida, porém a única subida que existe na ida é a famosa escada monumental. Essa escada possui 5 lances de 25 degraus cada, ou seja, são 125 degraus para subir de uma só vez.
Existem várias lendas que envolvem essa escada, uma delas diz que se o estudante tropeçar, como consequência, ele reprovará no ano correspondente ao lance da escada que contém o degrau que tropeçou. Outra lenda diz respeito às duas bolas que estão no topo dessa escada, porém não convém comentá-la aqui.


Depois de subir a escada monumental, deparei-me com o Largo D.Dinis, uma praça em cujo centro há uma estátua de D.Dinis. Do lado esquerdo, o prédio do departamento de matemática, onde iria estudar pelos próximos seis meses, e do lado direito, os antigos hospitais da universidade, onde agora se situam vários serviços, como o de Relações Internacionais.
Mais à frente, deparei-me com o antigo prédio da faculdade de Medicina, a atual Biblioteca Geral e a faculdade de Letras, antes de chegar à Porta Férrea que dá acesso à Via Latina, onde se encontram os serviços da reitoria, a faculdade de direito, a capela, a torre e a famosa biblioteca Joanina. Essa é uma das áreas mais esplendorosas da universidade, pois nos dá uma vista incrível para o Rio Mondego.


Em geral são construções antigas combinadas com paisagens naturais que nos deixam completamente impressionados. Jamais na minha vida imaginei que um dia descreveria o pátio principal da Universidade de Coimbra, a mais antiga de Portugal, e muito menos que teria a honra de estudar aqui e fazer parte da história desse símbolo português.
É com grande prazer que agradeço a meus pais Osvail e Adriana, a minha orientadora Miriam e a meus amigos que me ajudaram muito durante todo processo de seleção da bolsa Santander Universidades.